Karina andava numa fase caótica e perturbadora, humor oscilante, pouco dinheiro, desânimo profundo e um apego mais do que o normal pelo álcool.
Há algum tempo já não fotografava, o que resultava em uma conta bancária quase vazia. Karina apesar do grande talento na fotografia, havia um certo tempo que deixara tudo "no ar". Acordava tarde, vivia de ressaca, saía todas as noites, enchia a cara e, quando permanecia em casa, nutria o seu outro vício avassalador; pela internet. Estava a pouco tempo mantendo um romance destemperado e monótono com Flavio, sem grandes promessas de ir pra frente, igualmente como toda sua vida de uns anos pra cá.
Flavio era um homem alto, cabelos grisalhos, barba por fazer e olhos cor de avelã, que levavam consigo um triste olhar perdido. Como a maioria dos pseudo-artistas, Flavio era um músico sem grandes talentos, ex viciado curado das drogas, que deu início ao projeto de um livro - jamais terminado - em busca do auto-conhecimento. Com quase 40 anos, divorciado e sem filhos, ainda morava de favor, com Cássio, seu irmão mais velho, junto com a esposa e seus dois filhos pequenos, o que incomodava profundamente Karina, que aos 26 anos, desde os 18, saiu de casa, para morar em um imóvel da família, herdado de uma tia avó.
Tudo na vida de Karina sempre foi a relativa difícil vida fácil. A legítima filhinha da mamãe que resolveu se rebelar por conta dos altos e baixos da própria vida, e das eternas regalias que sempre teve, no papel de filha única, desde o instante em que nasceu.
Sempre à procura de novas aventuras, novas drogas, novas substâncias, novas pessoas e novas frustrações, lá se encontrava Karina, agora com um novo amigo virtual. Era sua nova distração momentânea p/ os dias nublados que passavam, sem grandes novidades, sem grandes mudanças.
Pietro. O novo nome para os dias seguintes... [to be continued]
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